BBB26: por que a história de Milena expõe uma realidade invisível no Brasil
- Rede Abrigo

- 2 de fev.
- 2 min de leitura
A participante do BBB26, apelidada de “Tia Milena”, tem 26 anos, é mineira e nasceu no interior do estado, na cidade de Itambacuri.

Dentro do programa, Milena abriu um pouco da sua história e da sua vivência na infância em um acolhimento institucional. É comum que ela compartilhe relatos de como foi seu tempo no abrigo, as atividades que realizava, o que aprendeu e as dificuldades da realidade de quem passa pelo acolhimento.
Dentre tantas falas importantes, queremos destacar uma conversa que aconteceu na madrugada de hoje, 2 de fevereiro, entre ela e Ana Paula Renault.
“Ali muitas não conseguiram ser adotadas… A Aline N, a Aline J, a Glauciane, Glauciene…”
No palco do maior reality do país, números invisíveis ganham rostos, nomes e vozes que trazem também o questionamento: “e o depois?”
Ao compartilhar um pouco da realidade do acolhimento e da dificuldade da vida após estar acolhida, Ana Paula faz uma pergunta que frequentemente ouvimos quando explicamos a realidade do acolhimento institucional.
Se o acolhimento é de 0 a 18, ao fazer 18 anos o que acontece com aquele adolescente que estava ali?
A realidade após o acolhimento
Milena não passou pela maioridade no abrigo, mas expõe a realidade de quem passa por isso: falta apoio e preparo para sair do acolhimento.
Em sua fala, ela diz que, no abrigo onde ficava, as meninas recebiam auxílio por apenas um mês após a saída. Embora a casa, o emprego e esse suporte temporário já fossem insuficientes, a realidade é que no Brasil, de forma majoritária, os jovens saem sem nenhum tipo de apoio.
Não existem políticas públicas efetivas que amparem a grande maioria dos acolhidos que, ao completarem 18 anos, precisam encarar o mundo após o tempo de acolhimento.
“Duas mesmo não conseguiram se manter e foram para a ‘vida’.”
Para a “vida”, para a rua ou de volta para onde sofreram violência: essas são as saídas da maioria dos acolhidos que completam 18 anos em instituições de acolhimento. O acolhimento institucional é o último recurso utilizado pela Justiça. Toda criança em acolhimento teve um direito negado e uma violência cometida contra si. Utilizando o Rio de Janeiro como exemplo: embora seja uma política pública em vigor, a cidade possui apenas uma república para egressos do sistema de acolhimento.
São apenas 6 vagas.
A conversa, então, chega a um ponto crucial: é preciso atuar nessa ponta.
E é aqui que celebramos a importância de o maior reality do país ser palco de diálogos sobre algo tão urgente e, ao mesmo tempo, tão invisibilizado.
Seguimos nessa luta
Há 10 anos, a Rede Abrigo luta para conscientizar a sociedade, viabilizar soluções e contar as histórias por trás do acolhimento. Esperamos que a trajetória da Milena, ao se tornar pública, traga novos parceiros para essa causa. Nos colocamos à disposição de coração aberto para ouvir, explicar e questionar com quem, a partir de hoje, criar interesse no acolhimento institucional.
Enquanto você lê este texto, milhares de crianças esperam por mudanças reais nas políticas públicas direcionadas ao acolhimento institucional.
Precisamos agir agora para que, ao completarem 18 anos, eles não encontrem uma sociedade que se questiona “o que será deles”, mas sim um país que ofereça um plano efetivo e digno para sua saída.

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