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"O meu maternar veio na hora certa"

  • Foto do escritor: Rede Abrigo
    Rede Abrigo
  • 9 de mai.
  • 2 min de leitura

Para comemorar o dia das mães, convidamos a Larissa Hirdes, voluntária da Rede Abrigo e mãe do Joca para contar um pouco mais como esse encontro de almas demorou 10 anos para acontecer.


Em 2023, enquanto eu me despedia do meu pai após nove anos de cuidados dedicados e profundos, senti que era hora de buscar, lá no fundo da alma, a coragem que me restava. Foi ali, entre o adeus e a renovação, que decidi: era o momento de deixar meu maternar florescer.


Minha família e meus amigos sempre souberam que ser mãe era o grande projeto da minha vida. Mas a "vida real", com seus contornos e esperas, foi adiando esse sonho. Eu sabia que poderia gerar, mas meu coração nunca viu a biologia como o único caminho. Mais do que isso: eu sabia que seria mãe, com ou sem um parceiro ao lado. Minha maternidade nasceu da minha própria inteireza


Antes da burocracia, veio a entrega. Me formei como Doula de Adoção e entendi que minha gestação não começou nos papéis, mas sim no dia em que disse "sim" para o meu filho, anos antes de qualquer formulário.


Enquanto ele não chegava, eu preparei o ninho. Estudei, fui voluntária, mergulhei em grupos de apoio e em retiros de meditação. Fortaleci meu espírito para o turbilhão que eu sabia que viria. Eu sentia que ele estava em algum lugar do mundo... eu só precisava que nossos caminhos se cruzassem.


O amadurecimento mudou o meu olhar. O perfil que eu imaginava inicialmente deu lugar a uma conexão real com o meu momento de vida. Depois de alguns "quase" e de entender os sinais da espiritualidade de que ainda não era a hora, eu desacelerei e entreguei para o tempo de Deus.


Meses depois, na busca ativa, eu o vi. Um menino de mais de 10 anos, preto retinto, de olhos puxados e um rosto que irradiava luz. Naquele instante, eu soube: era ele.

Três dias depois, o telefone tocou. A voz do outro lado confirmava o que meu coração já gritava. Nossa aproximação começou por telas, mas a conexão foi um encontro de almas que se buscavam há uma década.


No final de 2025, em meio ao caos de uma segunda faculdade e de uma vida que parecia não ter espaço para mais nada, ele chegou. Houve quem me chamasse de louca, mas houve também quem segurasse minha mão. Fui buscá-lo em outra cidade e, como se a vida quisesse testar minha determinação, a casa quase explodiu meses antes (gastando todas as minhas economias) e o carro quebrou na estrada. Cheguei de reboque, rindo e chorando, pronta para começar a saga de levar meu filho para casa.


Desde então, a vida se tornou um caos delicioso. Ainda vivo o meu "puerpério adotivo", aprendendo a cada dia com o meu Joca (seu apelido carinhoso). Ele transformou nossa família, nos deu novos lugares no mundo e preencheu cada espaço vazio. Olho para nós e vejo que os desafios continuam, mas agora tenho o peito aberto para aprender e reaprender nessa loucura que é amar sem medidas.


Com esse carinha, eu não apenas me tornei mãe; eu ganhei na loteria da vida.


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